terça-feira, 13 de agosto de 2013

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Imprensa negra: a voz do povo negro  
Moura (1992) analisa que esse conjunto de periódicos que se sucede durante quase 50 anos influirá significativamente na formação de uma ideologia étnica na população negra paulista, espalhando-se pelo país e influindo, de certa maneira, no comportamento dos afro-descendentes. Concentrando o seu noticiário nos acontecimentos da comunidade, divulgando a produção dos seus intelectuais nas páginas dessas publicações, aconselhando, orientando e criando, mesmo, um código moral puritano para ser obedecido pelos negros, essa imprensa "feita por negros para negros" marcou profundamente o pensamento dos negros paulistas se repercutindo entre os negros de todo o Brasil, lógico que este sentimento ideológico só atingia de forma mais significativa para os negros que sabiam ler.
Esta analise tenta refletir a forma como tanto estes periódicos que começaram a circular em 1915 quanto a revista Raça Brasil em 1996 pretendem em suas linhas discutir sobre a discriminação racial para defender os direitos da população negra, estando associados à construção e do reforço de laços identitários, entre outros aspectos, ao processo de mobilidade social dos afro-descendentes. No ponto da categoria raça, ponto de vista biológico, serve de base para a representação (re)construção da realidade hierarquizada das sociedades.
A imprensa negra é aqui entendida como o conjunto de jornais e revistas que foram publicados, com a intenção de criar meios de comunicação, educação e protesto para os leitores aos quais se dirigia. A velha imprensa negra, entre 1915 e 1963, caracterizados nos seus próprios títulos, são os primórdios da imprensa negra brasileira.


Hoje com a revista Raça Brasil o perfil dessa imprensa é outro. Além do fato de que esta nova imprensa hoje se utiliza de reportagens mais objetivas, entrevistas, noticiais, o surgimento de novas técnicas que criaram condições para uma maior profissionalização do mercado como um todo, ficando mais claro o papel do redator, do fotógrafo, dos desenhistas e dos revisores, tornando estas revistas em um grande espetáculo cheio de imagens fantásticas, e com uma diagramação mais leve e atraente para o público. Houve assim, uma necessidade de expandir e competir com os produtos importados, fazendo com que o empresariado nacional passasse a buscar novos mercados consumidores dentro do próprio país e, nesse sentido, os negros passaram a ser a "bola da vez". É nesse ambiente que começa a se difundir a nova cara da chamada Afromídia na última década do Século XX.  
Esta nova forma da imprensa negra nos faz questionar a nova tendência da indústria de consumo nacional envolvendo produtos e serviços que, além de propagar a ideia de que os negros podem e têm o direto de consumir como qualquer pessoa no Brasil, com isso, a ênfase das linhas editoriais caminharam muito mais na direção de discussões sobre música, saúde, beleza, comportamento e política. 
A Raça Brasil é a revista mais conhecida e de maior tiragem, com uma linha editorial voltada para a exaltação do sucesso e da ascensão social do negro, além de muitos artigos e edições especiais sobre moda e beleza. É visível que a revista Raça não segue uma publicação estigmatizada, radical, voltada totalmente para atender aos problemas da população negra, mas o motivo da sua criação tem a mesma essência dos antigos periódicos, que é defender os direitos e dar visibilidade ao povo negro, porém mudando a visão mercadológica de representação simbólica de uma nova imagem do negro(a) bem produzida.
Alguns desses jornais da velha imprensa negra refletiam as inquietações de parte da população negra e, num sentido mais amplo, tinham um caráter pedagógico e instrutivo, pois, além do forte apelo político para a tomada de uma certa consciência considerada adequada por seus editores, apresentavam em suas páginas matérias relacionadas ao cotidiano de parte dessa população, o que pode ter contribuído para o processo de formação de sua subjetividade.
Além disso, a divulgação de eventos do cotidiano tais como festas, bailes, concursos de poesia e beleza, que raramente apareciam nos periódicos da grande imprensa - pode também ter contribuído para um processo de auto-reconhecimento e construção da identidade por meio da observação e identificação do seu patrimônio cultural.  
Tal segmentação criada por estes periódicos ainda hoje pode ser vista nas páginas da revista Raça Brasil, ao publicar matérias com os principais nomes e acontecimentos ligados à negritude, na tentativa de dar visibilidade a cultura negra, discuti a identidade e resgatar a herança cultural.
Nesse sentido, Santos (2005) argumenta que a criação destes meios de comunicação buscam a distinção, o prestígio e a inserção social, ao tê-las bloqueadas pela sociedade racista, alguns despertaram para a ascendência africana e às dificuldades comuns aos homens de cor, passando a defender seus interesses.
A velha imprensa tinha um escopo, interesse temático e circulação muito mais amplo, discutiam a questão do mestiço enquanto um problema que atingia a todos, entendiam que o estigma da cor preta ou parda era reflexo da ignorância da sociedade em que viviam. A sociedade branca repudiava todos eles enquanto indivíduos sem instrução, não enquanto homens de cor ou pardos, Santos ainda explica:
 
"A afirmação da raça, realizada pelas principais lideranças, ao contrário das teorias científicas que hierarquizavam e dividiam a humanidade em grupos, era acionada como um instrumento político que buscava unir todos - negros e mulatos. O objetivo era terem acesso aos principais códigos de comunicação e comportamento da elite, forma que encontraram para uma maior aceitação e vida em sociedade. O que passou a caracterizar a instrução como o principal meio de disputa no mercado de trabalho, possibilidade de integração racial, ascensão social e conquista de direitos para a população negra" (SANTOS, 2005, p.5).
Este discurso de incorporar a elite é até hoje defendida na Raça Brasil, cuja a revista defende a concepção de que deve-se ter mais parlamentares negros, sendo a inserção na política de fundamental importância para dar visibilidade ao negro e aos problemas que os assolam. Segundo a revista, esta visibilidade na vida política é uma forma de afirmação de uma minoria, de declarar a sua existência, veicular através de leis de inserção as suas preocupações e demonstrar capacidade de realizar as mesmas atividades da maioria branca, ou seja, onde negros em comum igualdade podem administrar a sociedade por meio da via política.
Nesse sentido, pode-se entender que a valorização de certas posturas veiculadas tanto nos antigos periódicos como na Raça Brasil funciona neste contexto como uma estratégia de afirmação do negro enquanto sujeito que luta por espaços na sociedade.
Podemos explicar o surgimento destes veículos com Erik Erikson (1976). Segundo o autor, o homem sente necessidade de associar a satisfação de dominar uma determinada tecnologia com um sentimento de identidade. Há, então, um sentimento duplo de identidade pessoal: aquela que é lentamente associada desde as experiências vividas na infância e a identidade compartilhada com a sociedade sendo esta última frutos dos encontros com  a comunidade, em círculos cada vez mais amplos.  
Para Erikson (1976), em todos os períodos históricos, no que diz respeito às tecnologias dominantes com o desenvolvimento da sua identidade, tornando-se aquilo que fazem. Isso dá a essas pessoas, os tecnocratas , status, uma identidade. Dá a elas o sentimento de poder desempenhar uma tarefa com outras pessoas  e poder desempenhá-la bem.

Essas tarefas institucionais, que se caracterizam neste estudo sobre a revista Raça Brasil, oferecem coordenadas para o leque de opções de formação da identidade, dando um sentimento a essas atividades e um lugar aos que desempenham na estrutura social.                
 
 
 
 
* Retirado da minha monografia apresentado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo: As representações Sociais na Ressignificação da Identidade Ética do povo negro: no caso da revista Raça Brasil. Defendida e aprovada na semana da Consciência Negra em 23 de novembro de 2006. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Dia dos pais

Hoje é dia dos pais então saldo e santifico meu orí Ogum de Ronda e Cheroquê apadrinhado!!!
 
 

"Salve Ogum de Ronda! Salve meu Pai Ogum!
Eu te rogo Senhor das Guerras,
vencedor de batalhas e de causas difíceis.
Eu vos imploro neste instante que me
auxilie nesta minha necessidade
(fazer o pedido).
Que na minha caminhada eu tenho sempre lutado sozinho
e na realidade, nada tenho conseguido.
Assim, hoje venho diante de ti rogar a tua misericórdia,
para que eu seja vitorioso,
pois nas tuas batalhas nunca temeste a ninguém
e eu imbuído de coragem e fé
estarei confiante que armado com a tua espada
vencerei todos os obstáculos que houver
na minha vida material e espiritual. Axé. "
 
PATACORI NOSSO PAI OGUM! PATACORI, OGUM DE RONDA E CHEROQUÊ!
 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Negro Gato

Esse aqui Deus fez e jogou a forma fora, modelou a mão com a perfeição de todos os Deuses...Merece ir para o museu como preciosidade.



Babando!!
 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quero ir...


Gostaria de encontra uma brechinha para poder bater asas e voar... Ir para bem longe sem olhar para trás, sem sentir saudade, sem sentir vontade de parar...Queria sair da casa dos meus pais tomar meu rumo, seguir minha vida e voltar a me sentir viva...


 

As vestes africana (parte 3)

Trajes africanos


As roupas africanas vão muito além da beleza. Os padrões impressos nos tecidos correspondem a nomes, provérbios ou ideias. Elas estão relacionadas com a beleza, a religiosidade e a identidade do povo negro, com a ancestralidade africana. As roupas não nascem para proteger o corpo, mas como uma forma de beleza, não só para aparecer ao outro, mas para os deuses.
Ao vestir um determinado pano, envia-se uma mensagem silenciosa a todos os que vêm, mas, na maioria das vezes, a alguém especial.

Os riscados, desenhos e cores expressam relações entre marido e mulher, entre a mulher e as outras mulheres, entre cada um e a comunidade.

As cores vibrantes das indumentárias são obtidas a partir de elementos da natureza, a exemplo de plantas, terra e flores. Cada cor tem um significado.

O verde indica renovação e crescimento, em clara analogia com as matas e florestas. Amarelo é símbolo do status e serenidade, além da fertilidade e vitalidade. Azul é a presença de Deus, a onipotência do céu, ao espírito   puro  que repousa em harmonia.
O preto denota união com os antepassados. É a cor das provas, do sofrimento, do mistério, da consciência espiritual, do tempo e da existência.
Vermelho é a cor da paixão, da determinação política, da vida, da paixão e do sentimento.
Retirado do blog África na escola da professora Rérida. Se link nela:

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tecidos Africano

A arte de tecer em tear manual é uma das mais antigas do mundo. Na África existem três tipos principais de tecidos: o Bogolan, o Khorogo e o Kubá.

Em geral os tecidos são confeccionados para marcar ciclos importantes da vida da pessoas ou das aldeias, para vestuário, tapetes e também já serviram de moeda de troca. Em algumas etnias os homens tecem e as mulheres tingem os tecidos.

Os tecidos Kubás estão entre os mais importantes de todo o território africano. Os homens tecem a partir da ráfia retirada das palmeiras em pequenos e rudimentares teares. São as mulheres, no entanto, as responsáveis pela decoração dos tecidos. Os desenhos demonstram a importância e a influência de cada família.
Em anos recentes, os desenhos terrosos ou preto-e-branco dos tecidos Bogolan tornaram-se conhecidos no mundo todo. Bogolan, que significa tecido de lama, é uma tradição estabelecida há tempos entre os Bambara, etnia majoritária do Mali.

O tingimento tradicional é feito apenas por mulheres e a técnica passada de mãe para filha. A peça é lavada em água e colocada ao sol para secar para que encolha ao seu tamanho final. Depois, o tecido é embebido de uma solução marrom e uma solução amarela extraída da maceração de folhas de várias árvores e posto para secar ao sol. O tecido está pronto para a aplicação dos corantes naturais extraídos da lama. O barro coletado em lagos e poças é deixado para fermentar por alguns meses em um pote coberto, adquirindo ao final de um ano a cor negra.
Os tecidos Khorogo, originalmente da cidade de Khorogo, no norte da Costa do Marfim, hoje são encontrados em vários lugares da Costa do Marfim. Representam cenas da vida cotidiana das aldeias africanas ou cenas da mitologia Akan. São tecidos de algodão tingido com argila e pigmentos naturais (extraídos de folhas, frutos e cascas de árvore).

Assim como nos tecidos Bogolan, os homens tecem tiras estreitas em tear pequeno e depois costuram-nas juntas para alcançar a largura desejada. Depois dividem com as mulheres a tarefa de tingi-los. Há basicamente quatro cores reconhecidas pelas tecelãs: preto, cinza, vermelho e branco. Porém outras tonalidades podem ser obtidas através da mistura dessas quatro cores.


Diversidade Colorida - Blog